Pensamento do Blog

Comigo a natureza enlouqueceu; sou todo emoção" Adaptado de Maiakoviski

quarta-feira, 8 de março de 2023

Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional das Mulheres é celebrado, anualmente, no dia 8 de março.

A ideia de uma comemoração anual surgiu depois que o Partido Socialista da América organizou o Dia das Mulheres, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York — uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Durante as conferências de mulheres da Internacional Socialista, em Copenhague1910, foi sugerido, por Clara Zetkin, que o Dia das Mulheres passasse a ser celebrado todos os anos, sem que, no entanto, fosse definida uma data específica. A partir de 1913, as mulheres russas passaram a celebrar a data com manifestações realizadas no último domingo de fevereiro. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no calendário juliano, ainda na Rússia Imperial, organizou-se uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país. Operários metalúrgicos acabaram se juntando à manifestação, que se estendeu por dias e acabou por precipitar a Revolução de 1917. Nos anos seguintes, o Dia das Mulheres passou a ser comemorado naquela mesma data, pelo movimento socialista, na Rússia e em países do bloco soviético.

Em 1975, o dia 8 de março foi instituído como Dia Internacional das Mulheres, pelas Nações Unidas. Atualmente, a data é comemorada em mais de 100 países — como um dia de protesto por direitos ou de edulcorada celebração do feminino, comparável ao Dia das Mães. Em outros países, a data é amplamente ignorada.[5]

História

Uma origem mundial para a data

A ideia de criar o Dia das mulheres surgiu entre o final do século XIX e o início do século XX nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto. Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder socialista alemã Clara Zetkin propôs a instituição de uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras, sem contudo fixar uma data específica.

As celebrações do Dia Internacional das Mulheres ocorreram a partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, a depender do país. A primeira celebração deu-se a 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, seguida de manifestações e marchas em outros países europeus nos anos seguintes, usualmente durante a semana de comemorações da Comuna de Paris, no final de março. As manifestações uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos econômicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, precipitando o início da Revolução de 1917. A data da principal manifestação, 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Copenhague, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista: na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

Sobre a origem de comemoração do Dia Internacional da Mulher não há concordância absoluta diante das múltiplas manifestações de luta de mulheres por todo o mundo. A professora e filósofa socialista estado-unidense Angela Davis cita um evento ocorrido em 1908 em que "as mulheres socialistas do Lower East Side, em Nova York, organizaram uma manifestação de massa em apoio ao sufrágio igualitário, cujo aniversário (do Dia da Mulher) seria comemorado". Mas, o objetivo das manifestações ainda eram lutas dispersas por diversos direitos específicos, e no caso apontado, era o direito das mulheres ao voto nos Estados Unidos.

Após isto uma das primeiras celebrações do dia da mulher foi no dia 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América, em memória de uma greve, realizada no ano anterior, que mobilizou as operárias na indústria do vestuário de Nova York contra as más condições de trabalho.

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhagen, Dinamarca, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada a proposta, apresentada pela socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um Dia Internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. No ano seguinte, uma comemoração do Dia Internacional da Mulher foi observada no dia 19 de março na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, onde mais de um milhão de homens e mulheres participaram de manifestações que exigiam os direitos de votar e ser votada, de trabalhar, de receber educação vocacional e, também, o fim da discriminação no trabalho.

Controvérsias sobre as origens

Por muitos anos, associou-se o dia 8 de março à ocorrência de grandes incêndios em fábricas, no início do século, quando dezenas de operárias teriam perecido. O mais conhecido desses incidentes é o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, que realmente ocorreu, em 25 de março de 1911, às 5 horas da tarde, e matou 146 trabalhadores: 125 mulheres e 21 homens. A fábrica empregava 600 pessoas, em sua maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos. Uma das consequências da tragédia foi o fortalecimento do Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras, conhecido pela sigla inglesa ILGWU. A acadêmica Eva Blay considera "muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres", mas ressalta que "o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias desde algum tempo antes e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin".

Na mesma linha, a historiadora espanhola Ana Isabel Álvarez González explica, no livro As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres (publicado em 2010 no Brasil pela editora Expressão Popular), que a origem da data passa ao mesmo tempo pelos Estados Unidos e pela Rússia soviética. A autora, que buscou fontes primárias tanto na historiografia americana quanto na espanhola, confirma que o incêndio da Triangle realmente ocorreu em 1911, no dia 25 de março - e não no dia 8, lembrando que 8 de março de 1911 foi um domingo, data improvável para a deflagração de uma greve. Embora incêndios desse tipo não fossem incomuns à época, González ressalta que o incêndio foi muito significativo para o movimento operário norte-americano e para o movimento feminista. Mas, sozinho, o incidente não explica a origem do Dia Internacional da Mulher.

Além do incêndio da fábrica Triangle, que efetivamente aconteceu, há uma outra história bem parecida, que parece ter sido uma simples invenção. Em 1955, Liliane Kandel e Françoise Picq escreveram, num artigo do jornal L'Humanité, sobre o mito de que a data teria como origem a celebração da luta e da greve de trabalhadoras no setor têxtil de Nova York, em 1857 — as quais teriam sido duramente reprimidas pela polícia ou mortas em um incêndio criminoso na fábrica, conforme as diferentes versões do mito. Não há indícios de que isso tenha ocorrido e, segundo as autoras, tais versões parecem ter sido criadas pela Union des Femmes Françaises, que pretendia converter a comemoração do Dia da Mulher em uma espécie de Dia das Mães, totalmente desprovida de qualquer sentido de luta feminina, tal qual se tornara na URSS e nos países do bloco soviético.

Relação com a Revolução Russa

"A 23 de fevereiro estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução."

Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada na Casa do Povo (Folket Hus), em Copenhagen, Dinamarca, Clara Zetkin propôs a criação de uma jornada anual de protestos em prol dos direitos das mulheres, mas sem fixar uma data específica. A primeira comemoração oficial deu-se em 19 de março de 1911. Em 1915, a militante comunista Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiânia, perto de Oslo, contra a guerra. Em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário gregoriano), houve uma greve de trabalhadoras russas do setor de tecelagem. Considerada por Trotski como espontânea e não organizada, a greve teria sido o primeiro momento da Revolução de 1917.[14]

Após 1945

Berlim OrientalUnter den Linden, (1951). Retratos de líderes da Internationalen Demokratischen Frauen-Föderation (IDFF), na 41ª edição do Dia Internacional da Mulher.

Após 1945, nos países do chamado bloco soviético, a data continuou a ser um feriado comemorado. Na antiga URSS, durante a era Stalin, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda do PCUS. Também era amplamente celebrado nos países do bloco, na Europa Ocidental.

Na Tchecoslováquia, por exemplo, a celebração era apoiada pelo Partido Comunista local. O MDŽ (Mezinárodní den žen, "Dia Internacional da Mulher" em checo) era também usado como instrumento de propaganda, visando convencer as mulheres de que o partido realmente levava em consideração as necessidades femininas ao formular políticas sociais. Gradativamente, a celebração ritualística do Dia Internacional da Mulher tornou-se estereotipada. A cada dia 8 de março, as mulheres recebiam uma flor ou um pequeno presente do chefe. A data foi ganhando um caráter de paródia e acabou sendo ridicularizada até mesmo no cinema e na televisão, de modo que o propósito original da celebração se perdeu completamente. Após o colapso da União Soviética, o MDŽ foi rapidamente abandonado como mais um símbolo do antigo regime. Mas o dia permanece como feriado oficial, na RússiaBielorrússiaMacedônia do NorteMoldávia e Ucrânia.

No resto do Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960.

Resgate da data

Protesto do grupo feminista FEMEN contra a exploração sexual das mulheres ucranianas, em 8 de março de 2010.

Já na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher, e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Em 2008, a ONU lançou a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, destinada a estimular a igualdade de gênero na comunicação social mundial. Na atualidade, porém, considera-se que a celebração do Dia Internacional da Mulher tenha tido o seu sentido original parcialmente diluído, adquirindo frequentemente um caráter festivo e comercial, como o hábito de empregadores distribuírem rosas vermelhas ou pequenos mimos entre as suas empregadas - ação que em nada evoca o espírito das manifestantes russas do 8 de março de 1917.

Bibliografia

 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Convite à Vida

 


Convite à Vida

A quem está aposentando, nunca pergunte:

“O que você vai fazer?”

Ele(a) já fez muito pelos outros,

Pelos governos, pelos patrões.

Agora é sua vez de produzir coisas novas.

Realizar sonhos reprimidos...

Deseje a ele, como diria Drummond:

Um céu sempre azul de verão.

Um sorriso de criança, energias infantis.

Rebeldia de adolescente.

Um olhar carinhoso de mãe, conselhos de pais.

Um jardim no quintal

Com muitas flores coloridas...

Rosas... muitas rosas, de todas as cores...

Quem sabe, uma azul, como o céu, abrindo-se ao vento.

Música boa o tempo todo, filme bom em qualquer horário.

Um café quentinho e cheiroso pela manhã

E uma voz preguiçosa ao fundo chamando

Para um carinho.

Canto de pássaros a acordá-lo todas as manhãs.

Lágrimas, sim, lágrimas de emoção

A cada gesto puro e desinteressado.

Viagens, muitas viagens; solidão necessária

Para a inspiração criativa.

Presenças renovadoras, sempre!

Poesias de Vinícius... 

Amor, excesso de amor, pra dar, pra receber.

Um Paraíso de amor eterno.

Churrasco com amigos.

Palavras de otimismo.

Leitura de livros, relatos de passeios.

Alegria, só alegria!

Sonhos de estudantes...

Cumplicidade de professor!

Beto Souto

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Direita e Esquerda - diferenças essenciais


A História Ensina (Cazuza)


Merece todos os aplausos 👏👏👏👏


Professora de Português dando aula. E que aula!!!

“Vamos conversar. 

Não sou homofóbica, transfóbica, gordofóbica. 

Eu sou professora de português.

Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso.

Eu estava explicando por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser "neutre".

Em português, a vogal temática na maioria das vezes não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. 

Vou mostrar pra vocês: 

O motorista. Termina em A e não é feminino.

O poeta. Termina em A e não é feminino.

A ação, depressão, impressão, ficção. Todas as palavras que terminam em ação são femininas, embora terminem com O.

Boa parte dos adjetivos da língua portuguesa podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável, etc.

Terminar uma palavra com E não faz com que ela seja neutra.

A alface. Termina em E e é feminino.

O elefante. Termina em E e é masculino.

Como o gênero em português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E.

E mesmo que fosse o caso, o português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o "preconceito".

Meu conselho é: em vez de insistir tanto na questão do gênero, entendam de uma vez por todas que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. 

O que existe é sexo. 

Entendam, em segundo lugar, que gênero linguístico, gênero literário, gênero musical, são coisas totalmente diferentes de "gênero". 

Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. 

Isso não torna o mundo mais acolhedor.

E entendam em terceiro lugar, que vocês podiam tirar o dedo da tela e pararem de falar bobagem e se engajarem em algo que realmente fizesse a diferença para melhorar o mundo , ao invés de ficarem arrumando discussões sem sentido. 

Tenham atitude! (Palavra que termina em E e é feminina). 

E parem de ficar militando no sofá!(palavra que termina em A e é masculina).

Quando me questionam porque sou de direita, esta é a explicação:

"Quando um tipo de direita não gosta de armas, não as compra.

Quando um tipo de esquerda não gosta de armas, quer proibi-las.

Quando um tipo de direita é vegetariano, não come carne.

Quando um tipo de esquerda é vegetariano, quer fazer campanha contra os produtos à base de proteínas animais.

Quando um tipo de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua vida.

Quando um tipo de esquerda é homossexual, faz um auê e inventa que está sofrendo de homofobia.

Quando um tipo de direita é ateu, não vai à igreja, nem à sinagoga, nem à mesquita.

Quando um tipo de esquerda é ateu, quer que nenhuma alusão a Deus ou a uma religião seja feita na esfera pública.

Quando a economia vai mal, o tipo de direita diz que é necessário arregaçar as mangas e trabalhar mais.

Quando a economia vai mal, o tipo de esquerda diz que os “malvadões”  dos patrões são os responsáveis e param o país.

Tese final:

Quando um tipo de direita lê este texto, ele  ri, concorda que infelizmente é uma realidade e até compartilha.

Quando um tipo de esquerda lê este texto, te insulta e te rotula  de fascista, nazista, genocida, etc. .”

Copie e cole !!!!

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E LIBERDADE. 🙏😘



terça-feira, 6 de dezembro de 2022

História de Coronel Fabriciano - Minas Gerais

https://drive.google.com/file/d/1WLD6kGB3gMqB6oyUBndDFcdD-a5tPWbi/view?usp=drivesdk 

Pelo link acima você tem acesso ao conteúdo integral deste livro.


Introdução

Esta é uma História de Coronel Fabriciano, pois todas as cidades possuem várias histórias, pois seus habitantes fazem esta história se tornar cada vez mais variada e interessante de se ver, viver e rever.




Fabriciano e sua História






domingo, 4 de setembro de 2022

Resenha do Livro As Pererecas e as Velhinhas e Outros Causos - Crônicas de Nena de Castro

 

Livro As Pererecas e as Velhinhas e Outros Causos

Nena de Castro


Ler livro de amigo(a) é coisa primeira... Deixamos Dom Quixote viajar em suas imaginações, e entramos com tudo na leitura. E por falar em Dom Quixote, depois de ter lido o livro que adorei, ainda tive o prazer de assistir a peça no Shopping do Vale com a amiga escritora, Nena de Castro. Jamais vou me esquecer os momentos que convivemos no trabalho como professores/educadores da rede municipal de ensino de Ipatinga. A cidade de Ipatinga é seu lar em todos os sentidos, apesar de ter nascido em Governador Valadares. Suas crônicas e causos sempre possuem ingredientes e personagens do Pouso de Água Limpa e de Minas Gerais. "É mineira da gema", afirma. Não esquece os bairros de Ipatinga, sua zona rural como o Ipaneminha e seu tradicional Congado, a política e suas artimanhas, os(as) professores(as) e seus sofrimentos, como a dívida de governos passados com a classe dos aposentados - os já famosos atrasados.

O novo livro de Nena de Castro é cativante, mesmo sendo sua primeira inserção em literatura para adultos, fora suas contribuições nos jornais da região. Sua literatura infantojuvenil é premiadíssima. Mas este livro parte de sua obra em crônicas nos jornais em que trabalhou com sucesso, fator que lhe dá mais que credibilidade para escrever a presente obra. É cronista e poeta por natureza, professora por vocação, e advogada não sei. Mas sei que como professora de Português na mesma escola em que trabalhamos, e na Biblioteca Pública de Ipatinga, sempre me admirou seu trabalho criativo e dinâmico, e sempre voltado para o processo ensino-aprendizagem utilizando a arte como instrumento essencial em sua prática, especialmente as produções literárias e teatrais.

É natural a utilização de um vocabulário rural, tipo Guimarães Rosa... acho até que tem dificuldades em ficar livre dele, pois mesmo quando uma crônica é mais dentro do Português Formal, ela arranja um jeito de colocar o Rosa dentro, mesmo que em pequenas citações ou diálogos. Não deixa de educar, e numa educação ampla, quando faz algumas críticas na área histórica e política, citando causos de períodos históricos conhecidos como o Regime Militar (1964-1985), e até sua participação nos eventos. Faz duras críticas à corrupção na classe política, e cita fatos da política recente no país, que nos deixou sem muitas esperanças nas mudanças pelas quais sonhamos e lutamos. Até pela Mitologia greco-romana ela viaja em suas aventuras imaginárias de mitos, deuses, deusas... e Brad Pitt.

Nena tem uma capacidade enorme de resolver mistérios como na crônica O Fim do Mundo. Fiquei intrigado com a solução que apresentou para explicar a chuva de sangue... li depressa pra saber como estava chovendo sangue. E aí ela entra numa questão social que é a dos matadouros clandestinos. Achei que foi muito criativa e de presença de espírito incomum. E sobre o Dia da Mentira, achei que o mentiroso ia parar de mentir no final, mas era muito previsível mesmo. E faz uma relação com a chamada "Revolução Militar" em 31/03/1º de abril. A Horta não tinha outra solução - abandonar o projeto. Lembrei de um fato ocorrido comigo: não tinha carro e chequei em casa de táxi, aí um vizinho falou comigo: "E o nosso?". Em A Bugra Vê a História faz uma viagem entre os árabes e seus mistérios, as grandes navegações, A Primeira Guerra Mundial, e até a crise do petróleo de 1973. No mesmo texto faz questionamentos sobre o terrorismo no mundo, envolvendo o Oriente Médio e o Mundo Ocidental. E em outras crônicas não deixa a política e as questões sociais de lado, mas mantém sempre o otimismo de uma vida melhor e um mundo mais justo, mesmo diante do caos, que muitas vezes vivemos ao longo da história.

Cria, a autora, personagens fictícios que permeiam quase todas as crônicas... até na praia de Prado, na Bahia. Por coincidência moramos perto de Prado no extremo sul da Bahia, há cinco anos. Os bem-te-vis de Prado devem ser os mesmos que tomam conta de Nova Viçosa, ou parentes, pois aqui são os donos da passarada. Inclusive tem até bem-te-vi mineiro, e não é à toa, pois Nova Viçosa é chamada de Praia dos Mineiros; chamo assim porque canta faltando uma sílaba, como o nosso sotaque ao "comer" parte das palavras nas longas conversas mineiras. O bem-te-vi canta assim: te-vi. E eu respondo: eu também.

Nena fala da Biblioteca  Zumbi dos Palmares, e de seu cuidado com o acervo historiográfico da cidade de Ipatinga, local onde passamos bons momentos de trabalho e cultura. De Dona Lilá, que também conheci na Superintendência de Ensino em reuniões, depois no "fechamento" da Escola Presidente Vargas e Padre Cícero, em 1985, e em Nova Viçosa, pois passa os finais de ano na Pousada Kambucá de nossa amiga professora aposentada, Cacau. Sempre alegre e bem disposta apesar da idade avançada. A família dela possui uma casa na Praia do Lugar Comum, aqui em Nova Viçosa, perto de nossa casa. Outra pessoa de minhas relações que está nas crônicas, é o historiador José Augusto, profundo pesquisador da história de Ipatinga. Nena consegue reunir pessoas conhecidas aos seus relatos de causos, crônicas e poesias, mantendo a identidade de cada um nos fatos narrados. José Augusto é a melhor fonte para a pesquisa sobre a história de Ipatinga, inclusive de seu folclore, como relata a autora.

O seu cotidiano é presença marcante em suas crônicas, incluindo nele pessoas conhecidas, desconhecidas e fictícias. Sua alegria numa simples manhã de fim de semana. Uma caminhada pelas ruas da cidade, e principalmente de seu bairro, mas não nega sua pouca disposição e regularidade para estas atividades. Conta seus passeios na praia, nas proximidades de Ipatinga, enfim seu dia a dia é objeto de suas escritas, daí a crônica, sem deixar a poesia ausente, pois é conduzida com leveza pela poesia e sensibilidade em seus relatos.

Seu vocabulário rural é uma raridade, quase precisando de um dicionário do gênero. Não sabia que a autora ficou tão "colada" nesse ambiente, mesmo morando por tantos anos na metrópole do Vale do Aço. Quando fala que o poeta conversava com as estrelas, eu também converso com as plantas, afinal, hoje, no tempo das redes sociais, e da exacerbação do individualismo na sociedade, conversar com pessoas ficou quase impossível. Vivemos um fanatismo ideológico pior que na Idade Média. As receitas naturais caseiras são de tirar qualquer médico do Hospital Márcio Cunha do sério... Quase tive dó dos políticos. "E nada mais digo.".

A autora escreve de forma leve e agradável, escolhendo temas interessantes e e curiosos com uma pitada de humor, afinal é ótima cozinheira no fogão e na literatura, portanto é um excelente livro para se adquirir o hábito de leitura, e para o sexto leitor como eu. A bênção de seu pai deixando como herança sua capacidade e tenacidade para a escrita e leitura ajudou a manter sempre viva nossa arte literária a serviço de nosso povo... maldição? Nunca! É dom de Deus! 

Não deixe de ler este livro para te tirar da solidão! Ele é uma multidão e de uma autora múltipla. Foi um prazer e uma alegria fazer essa simples resenha de minha amiga histórica, Nena de Castro. HU HU HU! É assim?




Nena de Castro - artista e militante


sexta-feira, 1 de abril de 2022

Visita do Túlio e família a nossa casa - 29 a 31 de março e 1º de abril de 2022

Foi uma visita muito esperada, pois o Túlio está morando em Portugal, ou seja, em outro país, portanto o transporte para o Brasil é bem complicado, além de contar com dois filhos(as) pequenos(as) na viagem. Vieram os dois filhos(as): Lucas e Sophia, a mãe, Carina e sua irmã, Regiana. Aqui no Brasil percorreu longas distâncias para visitar os parentes e amigos(as). Chegou ao Rio de Janeiro, e foi imediatamente para São João da Barra, no mesmo Estado, onde mora sua mãe e a irmã, Tauane. Depois veio para Nova Viçosa. Após uma visita breve, mas muito intensa, pois tivemos atividades em todos os dias, como ir à praia, aos restaurantes e visitar pontos turísticos da cidade, além das animadas conversas em casa; partiu para Ipatinga e Coronel Fabriciano para encontrar com seus dois irmãos, Daniel e Bárbara, amigos e amigas, na região, e seus avós paternos. Depois voltou para o Rio de Janeiro, de onde tomou o caminho do Estado do Paraná para visitar e conhecer a família da esposa. Depois desta maratona de carro e avião, voltou para Portugal com a família. Vivemos momentos alegres e felizes. Trocamos presentes como é costume em nossa pequena família. Ganhei um ótimo livro sobre a História de Portugal. Conheci o netinho Lucas e a netinha Sophia, e pude sentir a emoção de ser avô de verdade... nossa, estou ficando velho! 


Filhos - pedacinhos de nós...

Que nos unem e amamos. Antigamente achávamos que nossos filhos(as) tinham muito mais dos pais do que a ciência hoje constata. Era comum a expressão: "Árvore ruim não dá fruto bom.". Ou seja, se o pai ou a mãe fossem maus exemplos, os filhos seriam sempre maus também. Mas vimos ao longo de nossa vida tantos exemplos de bons filhos, de pais complicados, e o inverso também. Isto terminava por colocar em dúvida a máxima acima. Hoje está comprovado que os filhos são pedacinhos de nós, e têm muito mais deles próprios do que de seus pais. Inclusive tem um provérbio árabe que diz que "Os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais.".

Este conhecimento nos dá uma certa tranquilidade, aliás necessária para criar os filhos, ou seja, não somos tão culpados na formação de sua personalidade, pois ela já nasce quase pronta, e é própria deles mesmos. Sofrem influências da sociedade, da família e do DNA dos pais, mas em doses pequenas. A maior parte pertence a eles. Descoberta científica que pode ser relacionada com a fábula, muito conhecida do público (e bastante utilizada pelo cinema), atribuída ao escritor grego Esopo (620-560 a.C.): "Depois de insistentes pedidos do escorpião para que o sapo atravessasse com ele nas costas até a outra margem do rio, tendo o escorpião jurado não picá-lo durante a travessia; já no meio do rio, o escorpião fala que não vai cumprir o prometido, e o sapo, apavorado, relembra ao escorpião sua promessa de não picá-lo, mas o escorpião afirma: é da minha natureza! E pica o sapo e os dois morrem no rio.". Não pode negar sua natureza, mesmo que tente fazer as coisas de outra forma, através de uma influência externa, como nós. 

O escritor Rubem Alves, afirma que "Filhos são como pássaros; nascem, crescem e voam.". Ou seja, passam a ter vida própria. Eu acho que filhos são como nós nas árvores; nascem, crescem, voam, mas permanecem conectados aos pais, mesmo que em pequena parte, como os nós das árvores. As árvores viram madeira para diversos fins; mas os nós estão lá, mesmo que não desenvolvam mais. Elas já velhas, às vezes, apodrecendo, mas os nós continuam lá, grudados na madeira, talvez esperando uma oportunidade para voltarem a brotar. As árvores se multiplicam, e os nós continuam unindo cada parte da planta nova, como os nossos netos, bisnetos. Estão sempre na história das plantas. Mesmo nas pequenas plantas, como as rosas. Em seu delicado caule, lá estão os nós; firmes unindo todo o fino tronco, gerando novos brotos e folhas, e no alto, suas flores exalam seu perfume delicado para todo o ambiente, como a presença dos filhos em nossa vida. Mesmo que tenhamos problemas com eles, mas a pequena parte de suas presenças continua lá; intacta para sempre!

 

 Abaixo algumas fotografias e um vídeo de nosso encontro familiar.

Presentes para as crianças (Boneca de pano feita pela Sueli) e carrinhos de madeira do artesanato de Nova Viçosa 
Álbum da família - Meu presente para a família reviver seus bons momentos

Brinquedo de praia (embrulho colorido à esquerda) - presente da Sueli

Presente do vovô para o Lucas





Aguardando a chegada da família




Sueli no pergolado

Hora da conversa regada a suco e comidinhas

Pai e filho curtindo a praia em pleno sol de outono - sol queimando a pele macia do Lucas

Passeio com o netinho na Praia do Lugar Comum



Peixe Laguna com batata frita na Cabana Axé Uai - Este peixe não tem espinhos
Livro História de Portugal - presente dado pelo Túlio

Vinho de Portugal - presente do Túlio para a Sueli


Comendo acarajé na Praça da Baleia - só baiano aguenta!

Sueli na Praça da Baleia


Almoço no Restaurante Caetano's

No Restaurante Quintal das Cores
Comida de mineiro - carne de sol e picanha com mandioca - Eita trem bão!


Flores do ora-pro-nóbis saudando nossas visitas - 1º de abril de 2022

Túlio no pergolado com flores do ora-pro-nóbis
Lucas anunciando a chegada





Na Cabana Axé Uai

Lucas admirando os cavalos




































Daniel e Sophia no Shopping do Vale - pra quem ainda tem cabelos












Bárbara e Sophia no Shopping do Vale
Visita à casa da bisavó Angelina - 02.03.22


Visita aos avós maternos no Estado do Paraná - 08.03.22

Vídeo na Praia do Lugar Comum